Desde o início, sabíamos que o desafio da Oficina Brasil Conecta não seria apenas reunir milhares de profissionais do setor automotivo em um único lugar, e sim criar um ambiente onde cada pessoa se sentisse valorizada, representada e, principalmente, parte ativa dessa transformação. Para isso, apostamos em soluções ousadas e integradas, combinando estratégia, tecnologia e experiência.
Um dos primeiros marcos estratégicos do Oficina Brasil Conecta foi tornar o evento 100% gratuito. Enquanto outros eventos cobram ingresso a partir de determinada data ou limitam o acesso a profissionais específicos, nós optamos por derrubar todas as barreiras, garantindo que cada mecânico e profissional da reparação automotiva pudesse participar integralmente, sem custos. A decisão de manter o evento 100% presencial reforça ainda mais o compromisso com a experiência prática e o networking real. Em três dias e 16 mil metros quadrados a gratuidade e presença física não são apenas escolhas logísticas, são parte da missão de democratizar o acesso ao conhecimento e valorizar o reparador como protagonista da cadeia automotiva.
Essa missão se desdobrou em uma série de ações inéditas e inovadoras. A começar pelas trilhas de conhecimento do Conecta foram desenhadas a partir de pesquisas com o setor, para entender exatamente o que os reparadores queriam aprender. Cada participante pôde escolher entre os temas Diesel, Transmissão Automática, Gestão, Híbridos e Elétricos, Diagnóstico, Motor, Suspensão Freios e Direção. Uma curadoria pensada para que cada jornada de aprendizado fosse única, aplicável e transformadora. Isso garantiu não apenas relevância de conteúdo, mas engajamento real do público com a programação.
Para garantir que profissionais de todo o Brasil tivesse acesso ao Conecta, nasceu o projeto Caravana. A proposta inicial foi pensada de forma colaborativa: metade da operação sob responsabilidade da Oficina Brasil, que coordenou fornecedores e logística, e a outra metade das marcas participantes, que definiram as cidades participantes e o aporte financeiro. Ao longo da execução, surgiram desafios importantes, especialmente relacionados à conciliação de agendas, definição de rotas e alinhamento entre as partes. A solução veio da flexibilidade e articulação direta com os patrocinadores, redesenhando a operação para garantir que o maior número possível de oficinas conseguisse estar presente. O impacto foi direto e abrangente: mecânicos de diferentes regiões do país puderam vivenciar conteúdos técnicos, experiências práticas.
Outro diferencial foi o processo de credenciamento. A experiência começava antes mesmo do evento, com a entrega de kits exclusivos compostos por camiseta e credencial personalizada. Essas entregas foram feitas presencialmente em oficinas da capital e da Grande São Paulo, por promotores especialmente treinados. Essa ação, além de antecipar o clima do evento, gerou expectativa e pertencimento. Os mecânicos começaram a postar seus kits nas redes sociais antes mesmo do evento começar, e ali, já sabíamos que estávamos criando um elo que ia além do próprio evento. No entanto, essa estratégia também nos trouxe aprendizados. Optamos por não contratar uma empresa de logística tradicional. Em vez disso, formamos uma equipe com profissionais conhecidos que compraram a ideia do projeto. Eles receberam treinamento e um roteiro detalhado de abordagem, apresentando o Conecta diretamente nas oficinas. A alta demanda exigiu ajustes no planejamento e um controle logístico rigoroso, mas a proximidade gerada com o público e a experiência humanizada valeram todo o esforço.
Para aprimorar a jornada do participante, desenvolvemos um aplicativo exclusivo. Por meio dele, os mecânicos puderam definir seus interesses, escolher trilhas e criar uma experiência personalizada, começando a vivenciar o evento antes mesmo de sua abertura. O app também facilitou a orientação pelo pavilhão e a interação com as marcas.
Além disso, cada reparador mecânico participa como jogador. Ao se inscrever no aplicativo oficial antes do evento, ele recebe um perfil exclusivo com QR Code e passa a competir em um ranking atualizado em tempo real. Pelo app e durante a plenária, todos podem acompanhar a evolução dos participantes, gerando um clima de campeonato coletivo que começa ainda antes da abertura do evento.
Ao longo de três dias, os reparadores participam de games com conteúdo técnico que combinam aprendizado e diversão. Cada interação gera pontos, mantendo os participantes engajados enquanto absorvem conhecimento prático. Ao final, os mais bem colocados no ranking são premiados com viagens e outros prêmios de alto valor, transformando o evento em um campeonato gamificado único no setor automotivo.
Com mais de 5 mil acessos e interações, mostrou como a digitalização aproxima os reparadores do conteúdo, potencializa o aprendizado e gera impacto direto e mensurável para cada profissional.
Outro destaque do Conecta foi a criação das dinâmicas interativas, um verdadeiro desafio criativo. Foram mais de 10 games onde cada cliente recebeu um briefing individual, e todos os jogos foram desenvolvidos do zero, com roteiro, visual e mecânica adaptados ao universo da marca, mas sempre conectados à narrativa macro do evento e aos objetivos estratégicos do Conecta. Cada jogo tinha um propósito claro, aprofundando a conexão dos participantes com as atrações, transformando conteúdos densos em experiências imersivas e sensoriais. O resultado foi uma programação envolvente, coerente e surpreendente, que educava, entretinha e deixava uma marca, comprovada pelo engajamento ativo dos mecânicos nos espaços de marca.
Exemplo disso foi o game da ZF, o ponto de partida foi o universo dos programas parceiros da marca. Criamos uma trilha lúdica que começava com um caça-palavras, onde os participantes precisavam localizar palavras relacionadas aos pilares e vantagens do programa, seguida por um jogo da memória e, por fim, uma simulação de compra e instalação da peça correta no veículo por meio da realidade virtual.
O desafio aqui foi equilibrar diversão e educação. O game precisava ser dinâmico e intuitivo, mas sem perder a profundidade de informação. Percebemos, nos primeiros testes, que muitos participantes pulavam etapas ou ficavam inseguros diante da simulação. A solução foi adicionar uma tela de instrução clara entre cada fase do circuito, guiando os reparadores e reforçando a proposta da ZF de ser uma parceira no dia a dia da oficina.
Na Volkswagem, a ideia foi transformar a jornada de compra digital em uma experiência imersiva e divertida. Criamos uma simulação no Mercado Livre, onde os participantes precisavam selecionar e adicionar ao carrinho as peças corretas, respondendo a perguntas relacionadas aos produtos da marca. Em seguida, a experiência ganhava vida na realidade virtual: dentro de um cenário que remetia a grandes prateleiras, o reparador tinha 60 segundos para localizar e coletar exatamente os itens escolhidos na etapa anterior.
O grande desafio foi unir o conhecimento técnico com a agilidade. A pressão do tempo exigia atenção plena, enquanto o formato gamificado estimulava a memorização e o domínio sobre o portfólio da Volkswagem. O resultado foi um game que conquistou os participantes pelo dinamismo e pela clareza da mensagem: aprender sobre produtos da marca de forma prática, rápida e envolvente.
Já na KSPG, estruturamos uma jornada dividida em três fases interligadas: primeiramente, um treinamento técnico presencial de 20 minutos, com foco em bronzinas, anéis de pistão e bomba d’água. Era um conteúdo denso, mas absolutamente necessário para elevar o nível técnico da base de reparadores. Em seguida, o participante avançava para um quiz com jogo da memória, uma forma de reforçar e revisar o que havia aprendido. A última etapa era o circuito com óculos VR, onde ele colocava em prática o conhecimento adquirido ao realizar, virtualmente, a instalação das peças estudadas: anéis, bomba e bronzinas.
Um dos principais desafios desse circuito foi garantir que o conteúdo técnico estivesse 100% alinhado à experiência virtual. Tivemos que revisar minuciosamente a simulação para assegurar que os movimentos virtuais respeitassem os processos reais de instalação. O game precisou passar por ajustes nas primeiras semanas de desenvolvimento, inclusive com revisões por parte dos engenheiros da marca, até chegar à versão final. O esforço valeu a pena: a KSPG saiu do evento com uma das ativações mais elogiadas, unindo capacitação técnica e tecnologia de forma exemplar.
Essas ativações mostraram que é possível inovar com propósito, entregando conhecimento técnico, reforçando o posicionamento das marcas e oferecendo uma experiência que ficaria na memória dos participantes. E foram, sem dúvida, uma parte essencial do sucesso da Oficina Brasil Conecta 2025.