A Nuts e a nōvi criaram um evento que usou o design de experiência como fio condutor, traduzindo o tema em cada detalhe. O conceito de artefatos como dispositivos de enquadramento, inspirado pela metodologia da Odyssey Works, guiou o desenho das ativações, em que cada objeto ou espaço era tratado como moldura viva para abrir novas possibilidades de percepção.
Entrada no círculo mágico: logo na chegada, os participantes recebiam a lente-questionadora, inspirada no City Scanning Exercise da Smithery, um objeto que instigava a lançar olhares não óbvios ao cotidiano. A lente, em acrílico laranja, funcionava como convite simbólico à mudança de perspectiva.
Oráculo digital: inspirado nas esculturas interativas de Gabriel Barcia-Colombo, o oráculo funcionava como uma “slot machine” poética, que em vez de prever o futuro, ressignificava o presente. Não oferecia respostas, mas fissuras para perguntas mais potentes, deslocando o público do campo racional para um espaço intuitivo e simbólico.
Ativação de colagem (VTS): baseada na metodologia Visual Thinking Strategies do MoMA, a prática estimulava conversas críticas e construção coletiva de significado a partir de imagens. Como a IDEO usa colagens em processos criativos, aqui esse artefato se tornou um convite à co-criação visual do invisível, ajudando a transformar percepções em narrativas tangíveis.
No conteúdo de palco, o rooftop do Shopping Light recebeu blocos de palestras e debates, com destaque para o painel sobre Design de Experiência, que contou com convidados internacionais e apresentação da própria Nuts.
Nas vivências externas, o design expandiu-se pela cidade:
- Visita ao Formosa Hi-Fi, bar subterrâneo prestes a inaugurar em uma antiga galeria de metrô.
- Tour por estúdios de design na Barra Funda, explorando usos não óbvios de materiais e formas.
- Caminhada sensorial pelo centro de São Paulo, guiada pelo Instituto Amuta, em que os participantes usaram fones de ouvido e foram convidados a observar o invisível do cotidiano, chegando até a andar descalços na água.
Cada detalhe reforçou a narrativa: abrir mão do previsível e perceber novos caminhos.