Detalhe do Case

Prêmio Caio 26ª Edição

Case: Natu Tech Geek – A Tecnologia Tem Identidade

Candidato: HAO FIVE
Segmento: Cliente Final
Categoria: Evento VUCA | Clientes

O Natu Tech Geek – A Tecnologia Tem Identidade foi um evento inédito na Baixada Fluminense, realizado pela startup Hao Five, com o objetivo de lançar o MVP do jogo Natu Tech de forma territorializada, inclusiva e participativa. Criado na BXD, território historicamente marcado por desigualdades socioambientais, o evento foi mais do que um simples lançamento de game: transformou-se em um espaço de encontro, reflexão e celebração cultural.
O jogo Natu Tech foi viabilizado por meio de um prêmio conquistado no edital da Lei Paulo Gustavo, que financiou exclusivamente o desenvolvimento do protótipo, ambientado na Serra do Vulcão, em Nova Iguaçu. Toda a concepção, produção e execução do evento foram 100% custeadas pela própria Hao Five, demonstrando autonomia e capacidade de gestão para realizar uma ação de pequeno ao médio porte no território.
Os objetivos centrais incluíram: lançar o MVP de forma acessível; conscientizar o público sobre racismo ambiental por meio da arte, tecnologia e narrativa do jogo; criar uma experiência imersiva que unisse inovação e identidade; promover a integração entre escolas, artistas, gamers, turistas, comunidade local e público geek; e posicionar a Hao Five como referência em inovação e justiça ambiental na região.
Além disso, buscou-se fomentar o engajamento comunitário e estimular a economia local, envolvendo empreendedores e coletivos da região, gerando circulação de renda e oportunidades no próprio território. Essa proposta combinou entretenimento, formação e ativismo, provando que a tecnologia, quando aliada à cultura e à memória, pode fortalecer a identidade periférica e criar novas possibilidades de futuro.
 

Vídeo

A Baixada Fluminense enfrenta há décadas um cenário de injustiças ambientais e sociais. Problemas como descarte irregular de lixo, ausência de saneamento básico, poluição de rios e ocupações precárias impactam diretamente comunidades negras e periféricas, configurando um quadro estrutural de racismo ambiental. Segundo o Mapa da Desigualdade (2020), municípios como Belford Roxo possuem apenas 15,98% de cobertura de esgoto; Nova Iguaçu, 15,42%; e Duque de Caxias, apenas 1,06%. Esses números evidenciam o déficit crônico de infraestrutura e políticas públicas voltadas à equidade ambiental.

Essas condições afetam diretamente a qualidade de vida, a saúde pública e a percepção de pertencimento da população local, sobretudo entre os jovens. A invisibilidade midiática da região, somada à falta de acesso a tecnologias e a espaços de fruição cultural, reforça estereótipos e limita oportunidades de transformação social.

Diante desse cenário, surgiu a necessidade de criar uma ação que unisse tecnologia, arte e ativismo para colocar o território como protagonista, mostrando que a inovação também nasce nas periferias. O objetivo não era apenas apresentar o protótipo do Natu Tech, mas construir uma experiência coletiva que gerasse diálogo, conscientização e engajamento comunitário  articulando-se inclusive com a prefeitura municipal para viabilizar a ocupação criativa da praça.

Além desses desafios estruturais, a realização de um evento ao ar livre na região também envolve lidar com a imprevisibilidade climática. Na data escolhida, havia risco de chuva forte  fator que poderia comprometer a programação, já que a tenda principal não suportaria ventos e volumes elevados de água. Essa possibilidade exigiu da equipe planejamento logístico flexível, monitoramento constante da previsão do tempo e estratégias de contingência para garantir a segurança do público e a integridade dos equipamentos.



Fonte:( https://vejario.abril.com.br/cidade/mapa-desigualdade-motivos-populacao-rio-diminuicao/)

 

Galeria de Fotos

Criamos uma experiência imersiva multissetorial inédita na Baixada Fluminense, unindo o lançamento do MVP do Natu Tech a uma programação cultural e educativa capaz de enfrentar três desafios centrais: racismo ambiental, invisibilidade midiática das periferias e falta de acesso a tecnologias interativas.

A estratégia principal foi a ativação territorial gamificada, transformando a Praça dos Direitos Humanos em uma “praça viva” conectada ao universo do jogo. Cenografia e ambientação inspiradas na Serra do Vulcão integraram o espaço físico com elementos visuais do Natu Tech, criando pontos interativos.

O público pôde:

• Jogar a build do Natu Tech em realidade aumentada;

• Explorar jogos ambientais no Oculus Quest;

• Disputar partidas de PS5;

• Participar de concursos de K-pop, cosplay tradicional e “cosplay pobre”;

• Vivenciar o “Dancy Dance” e outras dinâmicas lúdicas.

Para abordar a conscientização socioambiental, realizamos três mesas de debate, com média de 20 a 30 pessoas cada, discutindo tecnologias regenerativas e racismo ambiental. Um momento de destaque foi a fala do biólogo Cézar Celeri (CEDAE – Programa Replantando Vida):

“Quando um jovem vê outro realizando um trabalho bacana, isso inspira e motiva uma cadeia de novas iniciativas. É uma onda do bem que se espalha pela comunidade e fortalece a sociedade.”

A tenda ambiental liderada pelo coletivo EAE – Educação Ambiental e Ecoturismo aproximou o discurso técnico da vivência comunitária, tornando o conteúdo acessível e mobilizador.

No campo econômico, envolvemos cinco empreendedores e coletivos locais (brechó, barraca geek, tenda ambiental, barraca literária e barraca de doces), fortalecendo a economia criativa e estimulando o consumo consciente.

Na Arena Game, o tempo médio de permanência foi de 3 a 5 minutos por participante, com rodízio constante: no Natu Tech, medido por cronômetro (build sem analytics habilitado); no Oculus Quest e PS5, obtido com precisão via logs internos dos equipamentos.

Desafios logísticos, como adaptação da praça, controle de som e fluxo de visitantes, foram solucionados por meio de setorização de áreas, equipamentos móveis e programação escalonada, garantindo acessibilidade e conforto. Além disso, a previsão do tempo representava um risco  em caso de chuva forte, a tenda principal não suportaria o volume , mas as condições climáticas favoráveis permitiram a plena execução das atividades ao ar livre.

Como desdobramento e estratégia de continuidade, a metodologia e a experiência interativa do Natu Tech Geek foram replicadas em oficinas formativas, como a realizada em Duque de Caxias, ampliando o alcance do projeto e engajando novos públicos além do município.

O evento superou expectativas e consolidou-se como marco para a BXD. Durante as 7 horas de programação, aproximadamente 280 pessoas  possivelmente mais, considerando a circulação espontânea de pedestres devido ao ponto de ônibus próximo passaram pela Praça dos Direitos Humanos, mantendo fluxo constante entre as atividades.

As três mesas de debate abordaram temas estratégicos:

Tecnologias para Regeneração Ambiental;

Desenvolvendo Jogos com Baixo Orçamento;

Da Periferia para o Planeta: Soluções Ambientais que Nascem nas Margens.Na Arena Game, registramos mais de 50 interações com o Natu Tech, confirmando alto nível de interesse. Logs internos do PS5 e do Oculus Quest validaram os tempos médios de permanência, assegurando precisão nos dados. A proposta atraiu tanto público geek quanto moradores locais, criando um encontro único entre tecnologia, cultura pop e identidade periférica.

O impacto econômico foi direto, fortalecendo a economia criativa local. No digital, publicações no Instagram da Hao Five e do Natu Tech alcançaram até 1.664 visualizações em um único post, com diversas postagens superando 900 visualizações, além de comentários positivos e compartilhamentos espontâneos.

O legado inclui convites para painéis sobre inovação e sustentabilidade, interesse de escolas em adotar o jogo como recurso pedagógico e fortalecimento de redes com coletivos culturais e ambientais. Como desdobramento, realizamos também uma oficina em Duque de Caxias, apresentando o jogo e debatendo temas ambientais com jovens da região, reforçando o caráter educativo e itinerante da iniciativa.

“O Natu Tech nasceu na Serra do Vulcão para regenerar territórios e memórias, feito por quem vive a Baixada, para quem acredita no poder da nossa história.” Dito por um Jovem ativista do Projeto Menino que Planta

“Quando um jovem vê outro realizando um trabalho bacana, isso inspira e motiva uma cadeia de novas iniciativas. É uma onda do bem que se espalha pela comunidade e fortalece a sociedade.” ( Cézar Celeri, biólogo -CEDAE – Programa Replantando Vida)

O Natu Tech Geek provou que a inovação pode ser periférica, participativa e transformadora.