Detalhe do Case

Prêmio Caio 26ª Edição

Case: Cafeteria Escola Encafé - ABIC

Candidato: Agência Nuts
Cliente: ABIC
Segmento: Eventos
Categoria: Evento Técnico-Científico

O ano de 2025 marcou uma virada histórica para o ENCAFÉ – Encontro Nacional do Café, organizado pela ABIC. Depois de três décadas realizado sob o nome Encontro Nacional da Indústria do Café, o evento passou por uma mudança estratégica de posicionamento e propósito. A retirada da palavra “indústria” não foi apenas um ajuste de naming, mas a expressão de um novo olhar: mais inclusivo, democrático e conectado a todos os elos da cadeia do café. A mudança também veio acompanhada de uma nova lógica de acesso. Se antes a participação era restrita a poucos — com um modelo de ingressos caros e formatos pouco flexíveis —, agora o evento passou a permitir entradas diárias a valores acessíveis, o que abriu as portas para micro e nanotorrefações, cafeterias independentes, pequenos produtores e até gestores e baristas que antes ficavam de fora. Isso multiplicou as vozes presentes e transformou o encontro em um espaço verdadeiramente plural.

Outra novidade foi a alteração da data. Tradicionalmente realizado em novembro, no fim da safra, o ENCAFÉ passou para abril, assumindo o papel de evento de abertura do calendário do café no Brasil. Essa mudança estratégica ampliou sua relevância e tornou a edição de 2025 um marco. Nesse novo formato, a ABIC reafirmou seu compromisso de reunir toda a cadeia produtiva: dos grandes produtores às cafeterias de bairro, passando por governo, academia e varejo. E foi nesse cenário de renovação que nasceu com ainda mais força a Cafeteria Escola, um projeto educacional que materializou o espírito do novo ENCAFÉ.

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O desafio central da edição de 2025 era dar corpo à nova proposta do ENCAFÉ: tornar o evento mais acessível, relevante e democrático, sem perder a profundidade técnica que sempre caracterizou seus 30 anos de história. Como criar um espaço que fosse, ao mesmo tempo, formativo, inclusivo e atrativo? Como equilibrar teoria e prática para um público tão diverso, composto por produtores, empresários, técnicos, pesquisadores, baristas e gestores de cafeterias?



Foi nesse contexto que surgiu a missão de dar protagonismo ao último elo da cadeia do café: o serviço. Historicamente, o ENCAFÉ sempre deu maior visibilidade às etapas de produção, processamento e indústria, mas agora era hora de ampliar a perspectiva e trazer para o centro do debate aqueles que estão na ponta, em contato direto com o consumidor final. A criação da Cafeteria Escola respondia exatamente a essa lacuna. Ela precisava ser um espaço aberto, democrático e dinâmico, que oferecesse treinamento, capacitação e troca de conhecimento sobre o serviço do café, valorizando desde as técnicas de preparo até o entendimento cultural e social da bebida.



A dificuldade estava em conciliar múltiplos formatos: workshops práticos, palestras, demonstrações, apresentações acadêmicas e vivências conduzidas por especialistas de diferentes áreas. Além disso, era fundamental garantir que o espaço tivesse caráter inclusivo, permitindo a participação de todos, sem necessidade de inscrição prévia ou custos adicionais. Em resumo: criar uma escola viva, dentro da feira, que refletisse o novo espírito do ENCAFÉ.

A resposta foi a implementação da Cafeteria Escola, um espaço cenográfico que simulava o funcionamento de uma cafeteria real, equipado com todos os itens necessários para a prática profissional: máquinas de espresso, moedores, acessórios para métodos filtrados e equipamentos de preparo frio, entre outros. Mais do que ambientação, o espaço funcionou como um laboratório educacional aberto, onde os visitantes podiam assistir, aprender e interagir em tempo real.



A programação combinava workshops técnicos conduzidos por baristas renomados e representantes de escolas de café, com foco em técnicas de extração, texturização de leite, preparo de bebidas geladas e tendências de cardápio; palestras curtas sobre temas ligados à história, sociologia e consumo de café, trazendo reflexões mais amplas; e apresentações de entidades e empresas parceiras como Sebrae, Senac e instituições acadêmicas, que contribuíram com conteúdos sobre empreendedorismo, inovação e pesquisas aplicadas ao setor.



Tudo foi desenhado para ser acessível e democrático: a plateia era aberta, com cadeiras dispostas em arena, permitindo que qualquer visitante se sentasse para assistir. Não havia barreiras de inscrição; bastava chegar, acompanhar e participar. A agenda foi divulgada previamente para quem quisesse se programar, mas a lógica era de fluidez: uma palestra de 15 minutos podia ser seguida por uma demonstração prática de 30 minutos, criando uma cadência dinâmica e envolvente.



Essa abertura garantiu não só a transmissão de conhecimento técnico, mas também a construção de uma comunidade dentro do próprio evento. A Cafeteria Escola tornou-se um ponto de encontro onde baristas, empresários, produtores e acadêmicos se encontravam para trocar experiências, ampliando a conexão entre os diferentes elos da cadeia.

A Cafeteria Escola no ENCAFÉ 2025 cumpriu um papel estratégico dentro da nova proposta do evento: foi o espaço que melhor simbolizou a transformação de um encontro antes restrito e técnico em um ambiente verdadeiramente democrático e inclusivo. Ao valorizar o serviço como elo final da cadeia do café, o projeto conseguiu aproximar profissionais de diferentes origens e dar visibilidade a práticas e conhecimentos que dialogam diretamente com o consumidor.



Mais do que uma arena de demonstrações, a Cafeteria Escola consolidou-se como um projeto educacional de impacto, que ofereceu capacitação prática e teórica em formatos acessíveis, conectando saberes acadêmicos, técnicos e práticos. Com sua programação diversa, reuniu baristas premiados, instituições de ensino, entidades de apoio e empresas inovadoras, criando uma agenda viva, que estimulava aprendizado e troca de experiências.



O espaço tornou-se, assim, um dos principais símbolos da edição de 2025: um ambiente aberto, democrático e formativo, onde teoria e prática se encontraram para gerar valor real para os participantes. Ao final, a Cafeteria Escola provou que o café é mais do que produto e processo: é também cultura, serviço, experiência e conexão humana. E que um evento do porte do ENCAFÉ, ao dar protagonismo a esse elo, reforça sua relevância como o verdadeiro ponto de encontro de todo o ecossistema do café.