O primeiro desafio: organizar um evento desta magnitude e complexidade em apenas cinco semanas.
Após as manifestações anteriores no Congresso, sem sucesso, as 27 Federações de Agricultura e Pecuária de todo o Brasil iniciaram o grande processo de mobilização para levar a Brasília produtores rurais embuídos de um espírito de paz, porém lutador e com o objetivo de terem de volta a sua dignidade de trabalhadores honestos e não foras da lei.
Enquanto isso a Organização do evento preparava toda a infra-estrutura para receber esses produtores com inúmeros desafios que surgiram desde o planejamento até a execução:
1. Logística/Programação. Um evento de dinâmica e logística muito complicadas que precisava ser organizado de forma a não parar a cidade. Afinal de contas estávamos falando de um evento no coração de Brasília.
. A previsão era de receber 400 ônibus. Onde acomodá-los sem gerar nenhum tipo de transtorno para a sociedade?
Em parceria com o Batalhão de Trânsito do Detran conseguimos a liberação de um terreno descampado em frente ao Teatro Nacional, onde fizemos a marcação com fitas e placas com a sigla dos Estados. Foi criado um grande bolsão de estacionamento, com marcações e orientadores de trânsito que faziam essa organização de forma bastante sistematizada. Ao todo tivemos 430 onibus e 550 carros.
. A programação do evento foi definida da seguinte forma:
Das 8h às 10h- Chegada dos produtores e início da distribuição dos kits de café da manhã
9h50 - Toque de berrantes e queima de fogos para anunciar o início do evento,
Das 10h às 11h - Missa Campal
Das 11 às 12h - Depoimentos e participação de autoridades presentes
Das 12h às 13h30 - Almoço e apresentações culturais
Das 13h30 às 16h - Visitas orientadas ao Congresso Nacional
14h30 - Abraço simbólico ao Congresso Nacional
15h30 - Audiência da Diretoria da CNA com o Presidente da Câmara dos Deputados - Dep. Marco Maia.
Das 16h às 17h - Retorno da audiência da CNA com o Presidente da Câmara dos Deputados - Dep. Marco Maia.
Das 17h às 18h*- Saída dos produtores
(*havia um compromisso da organização com o Detran de que a saída dos ônibus não ultrapassasse das 18h para nao atrapalhar o fluxo de carros que saem da Espalanada neste horário. E assim foi feito!).
2. Autorizações. Envolver todos os órgãos fiscalizadores e administrativos em um proceso que durou, do início até o fim, cerca de 3 semanas, é tarefa ímpar. Várias reuniões foram realizadas com as autoridades competentes da Secretaria de Segurança Pública, Detran, DER/DF, Companhia Energética de Brasília - CEB, Companhia de Abastecimento e Esgoto de Brasília - CAESB, Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Vigilância Sanitária, ECAD, Serviço de Limpeza Urbana - SLU, IPHAN, Polícia Legislativa e Administração de Brasília, na tentativa de unificar os discursos e viabilizar todas as autorizações em tempo hábil e recorde.
3. Infra-Estrutura. A previsão era de chuva forte. Foram montadas 02 tendas gigantes, com cadeiras plásticas para ajudar as pessoas a se protegerem da chuva, mas não havia estrutura coberta suficiente para acomodar as 24 mil pessoas. Foram produzidas então capas de chuva e bonés para serem distribuídos aos produtores. A solução foi um sucesso.
. Além das tendas de apoio foi montado também um palco para a missa campal e para os pronunciamentos.
. Tendas foram montadas para apoio à alimentação e suporte para água e café durante o evento. Duas tendas de 10X10m serviram de sala de imprensa e sala de apoio e 01 tenda serviu de posto médico para qualquer necessidade de atendimento emergencial, que não ocorreu.
. 05 geradores de 180 KVA´s alimentavam todo o evento além da energia da CEB
. 12 caçambas de lixo foram locadas e removidas com o lixo do evento.
4. Alimentação. A grande maioria das pessoas viajou a noite inteira para chegar pela manhã. Certamente chegariam com fome. Era necessário um café da manhã. E depois do café da manhã, como dar almoço para 24.000 pessoas? E o jantar antes de irem embora?
Além disso o desafio de fazer uma grande mesa de frutas e pães que simbolizassem a fartura do campo brasileiro.
. Para o café da manhã foram montadas 08 estruturas de pranchão contornadas por alambrados que faziam o caminho por onde teriam que correr as filas.Oito estuturas independentes faziam a distribuição de 01 suco de frutas em caixa, 01 sanduíche e 01 fruta.
. Para o almoço uma grande estrutura de tenda, tablado e alambrado foi montada contemplando 18 entradas e saídas. O prato único: arroz carreteiro, era servido em pratos plásticos com talher descartável, acompanhado de um copo de refrigerante.
Todo o manuseio dos alimentos foi feito em uma cozinha industrial locada para o evento e que dava o suporte para uma alimentação segura e sem problemas.
No gramado da Esplanada a produção. Foram 08 panelas de 05 metros de diâmetro cada uma, sobre lenhas,cozinhando desde a noite anterior ao evento.
Foram 42 pessoas envolvidas somente no preparo do almoço.
. A água potável prometida pela CAESB para o início do evento não chegou. O órgão não conseguiu suprir as suas burocracias internas e não pode fazer o fornecimento de água acordado em reuniões. O que fazer agora para fornecer água potável para os participantes do evento?
Locamos 08 caminhões pipa de água potável, colocamos 02 em cada tenda e fizemos as ligações das mangueiras em grandes caixas d´água montadas com torneiras para saída da água.
. Para o jantar, na saída dos ônibus havia uma grande equipe na central de apoio montada na entrada do estacionamento dos ônibus, que fez a distribuição de 20.000 marmitas com sucos em caixa. Foram 48 horas de produção de alimentos e manuseio para proporcionar essa quantidade de marmitas para viagem.
Nessa hora pesou a experiência de quem já havia organizado a maior mobilização, até então, em 2005, para a mesma CNA, com 22.000 produtores rurais.