Desde sua primeira edição, em 2002, a Reatech apresentou muitas inovações tecnológicas.
Diferentemente do que se poderia imaginar, o maior interesse dos visitantes não é sobre o que há de mais barato, e sim ao que há de melhor na feira.
Cadeiras de rodas especiais, motorizadas e com dispositivos para elevação do tronco, adaptações eletrônicas para automóveis, cadeiras especiais que acessam diretamente o automóvel, almofadas antiescaras com avaliação de desempenho por controle digital, próteses de ligas metálicas, algumas, inclusive, de fabricação 100% nacional, serviços especiais e muita tecnologia sempre foram muito procurados nesses anos todos, com grande interesse pelos consumidores, agora muito mais conscientes de sua importância como cidadãos.
Na Reatech 2003, a Honda lançou oficialmente o novo modelo fabricado pela marca no Brasil, o Honda Fit. O veículo saiu antes para as pessoas com deficiência do que para os outros compradores.
Em 2004, na terceira Reatech, foram apresentadas adaptações de veículos para pessoas com deficiência, condutores ou passageiros, prótese de última geração, palmilhas, kit de mobilidade da AACD, equipamentos, acessórios para casa, esporte e lazer. Mas um dos grandes destaques daquele ano foram os elevadores e as plataformas de transferência.
Também foi um grande destaque nessa edição o ADD Sports Arena, organizado pela Associação Desportiva para Deficientes.
Quanto às tecnologias apresentadas, além das tradicionais embreagens semiautomáticas, acelerador e freio manual, foram mostradas novidades como o acelerador eletrônico, cadeira especial para transportados, a Carony (o próprio banco do carro é uma cadeira de rodas, assim não é preciso carregar a pessoa no colo nem balançá-la de um lado para o outro).
Também foram apresentadas duchas higiênicas com controle automático de liga e desliga, temperatura de água aquecida em quatro variações, níveis de pressão de jato d?água diferenciados, fácil instalação em pequeno espaço, podendo ser instalada tanto do lado direito como o esquerdo do vaso sanitário, todos os modelos se adaptam à grande maioria dos vasos e têm baixo consumo de água. Um deles possui ar quente para secagem, dispensando o uso de papel higiênico ou toalha.
Um dos setores de maior participação na Reatech 2004 foi mais uma vez o automobilístico. Foram sete montadoras e três adaptadoras de veículos. As montadoras, com auxílio e parceria com as adaptadoras, disponibilizaram mais de 20 carros adaptados para a realização de testes drive, na área externa da feira, em um circuito especialmente traçado para o trajeto dos motoristas com deficiência, ou não. Foram realizados mais de 4 mil testes.
Em 2005, a Reatech novamente teve como ponto forte a área de test drive de carros adaptados.
Na quinta edição da feira, empresas receberam currículos e fichas de PCDs para futuras admissões, algumas delas cerca de 3 mil cadastros. O mundo da moda também marcou presença nessa edição, com o ReaFashion. Foram apresentados diversos tipos de roupas e conceitos que estimularam o olhar e toque com suas texturas e cores sobre o jeans. As atividades esportivas também foram lembradas. Apresentações de capoeira, paredão de escalada e basquete de cadeirantes marcaram os eventos esportivos. A ADD coordenou as atividades. A Reatech ofereceu palestras e seminários, com temas específicos como leis, direitos, deveres, sexualidade, tratamentos alternativos, o estatuto da pessoa com deficiência, acessibilidade, entre outros.
Na Reatech 2007, na categoria de adaptações de veículos para pessoas com deficiência que precisam ser transportadas, foram apresentados modelos com assoalho regulado para que o cadeirante fique na mesma altura dos outros passageiros. Nesse caso, o acesso ao interior do carro é feito por uma rampa vertical e paralelamente à porta traseira. Outra empresa trouxe um sistema de embreagem eletrônica, para instalação em carros com câmbio manual, que é acionada por meio de um botão discretamente instalado no próprio câmbio.
Na ADD Sports Arena, houve apresentação de esgrimas, da Seleção Brasileira de Voleibol Paraolímpico, ciclismo tandem, escalada, basquete (adulto e infantil) em cadeira de rodas, capoeira, ginástica rítmica desportiva (GRD), tênis de mesa, goaball e até bocha.
A ADD para essa mostra trouxe a parceria com o desenhista Maurício de Sousa. Na quadra esportiva, um dos momentos mais aguardados eram os personagens com deficiência da Turma da Mônica: Dorinha (deficiente visual) e Luca (cadeirante). A ação com as personagens possibilitou a recreação esportiva de mais de cem crianças PCDs com crianças comuns de escolas públicas de São Paulo. As crianças puderam brincar e interagir com as personagens.
Além da apresentação, ao lado da quadra foi montado o Parque da Mônica, com diversas atrações e monitores, que coordenaram atividades com as crianças visitantes da feira, com ou sem deficiência.
Também ficou por conta da ADD a presença de personalidades do esporte como a jogadora de basquete Magic Paula, madrinha da equipe da entidade, a campineira Fabiana Harumi Sugimori ? recordista mundial dos 500 metros livres, em Atenas 2004, na categoria S11 ? e do nadador Daniel de Farias Dias, entre outras.
Sob a coordenação do Corde (Coordenadoria Nacional Para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência), os Ministérios da Educação, das Comunicações, da Saúde, dos Transportes, das Cidades, do Turismo e do Desenvolvimento Social representaram o governo federal, juntamente com alguns parceiros: Inmetro ABNT, Unesco, Cpqd, Infraero, Anatel, Comitê Paraolímpico e Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Conade (Conselho Nacional da Pessoa Portadora de Deficiência). Durante os quatro dias de Reatech, foram distribuídos mais de 20 mil exemplares de publicações sobre direitos humanos e os direitos da pessoa com deficiência.
Em relação às oportunidades de emprego, nessa edição, o banco HSBC, em apenas um dia de feira, recebeu mais de 200 inscrições (currículos e fichas) em seu estande. A participação da instituição financeira na Reatech foi a oportunidade para apresentar o projeto de contratação de mil pessoas com algum tipo de deficiência. Esse projeto não objetiva apenas o cumprimento da lei de cotas, mas foi também uma excelente oportunidade para que as pessoas com deficiência pudessem saber o que há no mercado de trabalho. A empresa conseguiu apresentar aos visitantes o programa de inclusão, no qual a pessoa passa por treinamentos durante oito meses e pode ser aproveitada em qualquer uma das áreas financeiras do banco.
Na parte artística, os visitantes conferiram 43 atrações, entre elas cantores com deficiência visual, bandas de rock e MPB, dançarinos cadeirantes e até show de mulatas. O ReaFashion também foi um sucesso.
Na Reatech 2008, a tecnologia em ortopedia e próteses fez a diferença. Numa iniciativa inédita, que nasceu de uma parceria entre a organização da feira e a Abotec (Associação Brasileira de Ortopedia Técnica), foi montada a Ilha da Abotec, onde várias ortopedias e empresas de componentes de próteses e órteses, associadas à entidade, expuseram e comercializaram seus produtos e serviços. A novidade nesse ano foi uma oficina completa de fabricação de próteses, cujo público pôde acompanhar de perto os processos de elaboração dessas soluções tecnológicas.
Na oitava edição da feira, foram oferecidas pelos expositores cerca de 6.500 vagas de emprego.
Todas as conquistas obtidas pelas pessoas com deficiência no Brasil foram resultado de muita militância e de pressão da sociedade sobre todas as esferas de poder e também sobre as empresas. Nesse sentido, a Reatech apresentou, em 2010, em sua nova edição, a participação dos poderes executivos das três esferas: federal, estadual e municipal, com foco, principalmente, na promoção e no fortalecimento das leis que regulamentam as ações de acessibilidade no País.
A Reatech 2011 apresentou novidades e tecnologias para facilitar a vida de quem tem alguma limitação ou deficiência física. O setor automobilístico mais uma vez mostrou sua potencialidade, além de outras áreas que movimentam esse setor.