Mais que um evento, o Salão Internacional do Artesanato é um local de valorização e perpetuação da cultura brasileira.
Os estados brasileiros e o Distrito Federal foram representados por suas organizações de artesãos ou por entidades que apóiam o setor artesanal. Cada estado teve seu próprio estande. E houve ainda locais para a exposição e comercialização de produtos ligados a projetos desenvolvidos por ONGs, entidades, organizações de artesãos ou por empresas que têm se destacado no cenário nacional, pelo apoio dado ao Setor Artesanal Brasileiro, seja em âmbito local, regional ou nacional.
Cada estado trouxe o que sabe fazer de melhor, para encantar todos os sentidos dos visitantes.
O Acre desenvolveu peças que têm como matéria-prima sementes, fibras, raízes, coco e diversos tipos de madeira. A arte popular alagoana foi representada pelo tradicional bordado filé da comunidade de Pontal da Barra, que fica em Maceió (o filé uma renda tipicamente alagoana, confeccionada de forma similar à renda de pesca). Com bastante influência da cultura indígena, o artesanato amazonense utiliza elementos da floresta em sua manufatura: contas, sementes, cipós
se unem nas biojóias que estão sendo levadas ao mundo todo. A Bahia, que tem no artesanato um atrativo a mais para o turismo, comercializa peças com entalhes em madeira e cerâmica utilitária. O Ceará, da mulher rendeira, é terra dos famosos trabalhos em renda-de-bilro ou renda da terra e labirinto. No DF, o forte são papéis artesanais, cerâmica, móveis e objetos em madeiras alternativas, cabaças, pintura em tecido, brinquedos pedagógicos e biojóias. Espírito Santo conquistou o mundo com as famosas peças em barro (como as panelas), cerâmica e arte em fibras naturais. Em Goiás, negocia-se o artesanato feito em barro, pedra-sabão, argila, tecidos de tear rústicos e crochê. E no Maranhão, o foco está nos trabalhos em algodão, couro, madeira, argila e palha do buriti. Mato Grosso trabalha com peças de cerâmica e tecelagem, além das fibras vegetais. Mato Grosso do Sul tem seu ponto forte nos famosos bugrinhos feitos a partir das raízes da macaxeira e nas cerâmicas Terena. Minas Gerais é mundialmente conhecida pelos bordados, tecelagem, peças em cerâmica e entalhes na madeira. No Pará, são trabalhados cerâmicas, cestarias e objetos em madeira. E na Paraíba, a consagrada produção em labirinto, bordado e renda renascença, que seduz observadores de todas as partes do mundo.
Estado com cerca de 12 mil micro empreendedores artesanais, o Paraná atua com produtos em fibra vegetal, cerâmica, entalhe em madeira. Pernambuco é terra das xilogravuras, trançados, rendas e bordados. Piauí, que tem exportado bastante seu trabalho artesanal, trabalha com cerâmica, renda de bilros, cestaria, escultura, tecelagem, bordado e tapeçarias. O Rio de Janeiro trouxe bordados multicoloridos e crochê, que se transformam em peças de decoração, utilitárias e até brinquedos. No Rio Grande do Norte, o forte são as rendas e bordados, enquanto que no Rio Grande do Sul, os tradicionais e apreciados produtos confeccionados em couro bovino, além das peças relacionadas ao consumo do chimarrão. Os artesãos de Rondônia dedicam-se ao trabalho feito em sementes, madeira, fibras naturais, borracha e argila. Em Santa Catarina, as conceituadas peças em renda de bilro e o artesanato em palha e teares manuais. Em São Paulo, estão exemplos do artesanato urbano, que utiliza resíduos industriais, além de peças do artesanato tradicional, que usa fibras vegetais, cerâmica e madeira. Sergipe entra com rendas e bordados, que costumam abastecer confecções de grifes consagradas e o Tocantins, com trabalhos feitos com capim dourado e madeira.
O3º Salão Internacional de Artesanato proporcionou um verdadeiro passeio pelo Brasil.
OFICINAS ? Ao longo dos 10 dias do Salão, foram oferecidas cerca de 50 oficinas, de 15 modalidades diferentes de artesanato: biscuit, bolas de Natal (de diferentes materiais), bonecas, bordados, pintura, crochê, encadernação, fruta de tecido, fuxico, tear, marchetaria, modelagem em argila, mosaico e papel machê, entre outras.
PROJETO FIBRA VIVA - Desenvolvido em Bonito, MS, desde 2007, o projeto teve um estande próprio para a venda de sacolas, bolsas, luvas de forno, bolsas térmicas, lixeiras de carro, entre outros itens, produzidas a partir de materiais descartados por indústrias de confecção e lonas de malotes dos Correios e com roupas de borracha utilizadas em mergulho e flutuação descartadas por empresas que operam o turismo de natureza na região de Bonito. Patrocinado pela Petrobrás, o projeto já capacitou 60 mulheres carentes da região e conta, hoje, com 15 famílias que vivem da comercialização do artesanato com a marca Fibra Viva. Os produtos são decorados com animais da fauna do Cerrado e Pantanal. No local, os visitantes receberam mais informações sobre o projeto, que tem também uma grande atuação na área da educação ambiental.
ARTESANATO INTERNACIONAL
Participaram países como Egito, Equador, Índia, Turquia, Portugal, Marrocos, Peru, Síria e Líbano. Cada um deles trará produtos identificados com a cultura do local. O Egito montou uma exposição, com peças raras ? algumas com mais de 100 anos de idade ? que não estavam sendo comercializadas.
Nos demais estandes internacionais, haviam peças de decoração e vestuário que encantaram os visitantes e movimentaram as vendas.
No estande do Equador, por exemplo, chapéus de palha, joalheria e tecidos trabalhados por dois artesãos que vieram ao Brasil especialmente para o Salão. No Peru, molduras em madeira, peças em cerâmica, espelhos, produtos em cobre, pratos decorativos, objetos trabalhados com folhas de ouro e muito mais. Do Líbano, tecidos, xales e objetos de decoração finamente decorados.
A Síria trouxe produtos inspirados em atividades artesanais tradicionais, como o trabalho em metal, marcenaria, objetos em couro e seda.
PRAÇA DOS MESTRES
Um espaço reservado para homenagear os grandes mestres artesãos. Estiveram presentes: de Pernambuco o Mestre Nicola(arte em madeira), Mestre Thiago Amorim (arte em cerâmica) e Mestre Vera Brito (arte em palha de bananeira), do Distrito Federal, Mestre João Gomes (trançado em palha), Mestre Elcio Pereira (arte sementes, cascas, raízes, flores e folhas secas), Mestre Paulo Henrique (argila), Mestre Rita de Cássia dos Santos (renda Renascença). Eles conversaram com os visitantes, fazendo sua arte, explicando seu trabalho e comercializando algumas de suas peças.
MESTRE NICOLA - PE
As peças de Nicola ganharam o Brasil e o mundo. Dono de apuro técnico e sensibilidade à flor da pele, suas esculturas fazem parte das exportações pernambucanas para os Estados Unidos e a Europa. Pelas mãos de Nicola, madeira, granito, calcário, pedra, sabão, concreto celular e marfim se transformam em querubins, com forte influência da estética barroca. Os anjos de Nicola são uma unanimidade e os pedidos não param de chegar.
MESTRE TIAGO AMORIM ? PE
Fundador do movimento da Ribeira e ex-Diretor de Cultura de Olinda, Tiago Amorim começou a modelar em 1962, com José Rodrigues de Manoel Inácio, de Caruaru, a partir de informações técnicas do ceramista português Alberto Santos. Participou da 8ª Bienal de São Paulo, ganhou o primeiro prêmio em Arte Mural do Salão Oficial do Museu do Estado, fabricou uma peça em talha de madeira para La Maison Pierre Cardin, em Paris. Atualmente, está ativando o Projeto Alto da
Mina, num dos principais pontos de cultura de Olinda, promovendo oficinas de transformações em várias modalidades.
MESTRE VERA BRITO ? PE
Nascida em Vicência, interior de Pernambuco e grande produtora de banana, Vera Brito desde muito jovem se descobriu dotada de dons artísticos. Apesar de ter lecionado História (que é sua formação pela UPE) e outras disciplinas durante 25 anos, seu maior prazer era trabalhar com arte. Fez flores em tecido, arranjos com materiais desidratados, pintura em tela e tecido. Criando embalagens para o doce Nego Bom (bala de banana), que seria utilizado para presentear os participantes de um evento, descobriu o trabalho com fibra de bananeira. E a partir deste material começou a confeccionar suas famosas bonecas. Hoje aos 62 anos, a mestre Vera Brito se dedica integralmente a elaboração de bonecas, anjos, santos e flores usando palha, fibra e renda da bananeira e palha de milho.
MESTRE JOÃO GOMES - DF
Não há matéria-prima do cerrado que João Gomes da Silva não saiba manejar. O mestre envolveu a família toda no trabalho artesanal. Ao lado da esposa, dos filhos e cunhados, produz peças de decoração e adorno feminino, além de trabalhos originais que lembram animais. Todas as obras são feitas de capim colonião, capim-dourado, cabaças, fibra de buriti, madeira e outros materiais
retirados da natureza. João Gomes vende seus trabalhos em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e praticamente em todo o Nordeste e Centro-Oeste. Tem diplomas de cursos do Sebrae, da Universidade de Brasília e de oficinas específicas e hoje é consultor.
MESTRE PAULO DE PAULA - DF
Formado em Artes Visuais pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, desde 1990 trabalha a argila na criação suas obras, utilizando todo o seu potencial: cerâmica torno, escultura, modelagem, esmaltação em alta temperatura, produzindo sua própria massa cerâmica. Ministra cursos regulares em seu ateliê.
MESTRE RITA DE CÁSSIA ? DF
Nascida no interior de Pernambuco, Rita de Cássia foi viver em Zabelê, na Paraíba onde, aos 13 anos de idade, começou a aprender a fazer rendas, depois de ficar observando o trabalho das mulheres rendeiras. Aprendeu diretamente com Mocinha Teixeira, na época a maior rendeira da comunidade. Desde então, não passa um dia sem que Rita de Cássia borde. O trabalho de rendeira ajuda no sustento da família. Em Em 1998, a artesã se mudou para Brasília. Aqui, foi cadastrada como artesã na Secretaria de Trabalho.
Além de todo o conteúdo artesanal, o público ainda pôde contar com apresentações musicais, os grandes shows:
Dia 6/11 - MARIA RITA - SAMBA MEU
Dia 10/11 ? NENHUM DE NÓS ? A CÉU ABERTO
Dia 11/11 - FREJAT- INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS
Dia 14/11 ? ARNALDO ANTUNES - IÊ IÊ IÊ
Houveram oficinas sobre a culinária típica de cada região do País, desenvolvidas no Espaço Gatronômico.
O público ainda conheceu outras manifestações culturais regionais musicais descritas no projeto abaixo:
RITMOS BRASILEIROS
TAMBORES DE RESPONSA é resultado das aulas de percussão do projeto social Fábrica da Cidadania que acontece no Núcleo Rural Lago Oeste. Com professores integrantes de bandas do cenário de Brasília como a Pé de Cerrado , o grupo é formado por 30 batuqueiros mirins.
Eles levam a cada nova apresentação a alegria que os acompanha durante a semana nas aulas de música. O TAMBORES DE RESPONSA vem estudando ritmos brasileiros como maracatu e ciranda como o que foi apresentado no evento.
O grupo é formado por 30 batuqueiros mirins, com idade entre 7 e 22 anos, que tocam tambor de maracatu, ganzá, xequerê, caila clara, agogô e gonguê, sob o comando dos mestres Fernando Fernandes e Jonatas de Paula.
TEATRO, CIRCO E CIDADANIA
O RASGACÊRO é um grupo de artistas de rua de Poços de Caldas, sul de Minas Gerais, que Completou no Salão nove anos de estrada. Com um trabalho de pesquisa que mistura música regional com teatro de rua e elementos de circo, é um dos grupos que melhor representa a arte produzida em um estado que é ponto de convergência de diversas culturas, conferindo às suas apresentações um universo brasileiríssimo e mambembe.
Apresentando intervenções urbanas de grande comunicação com o público, o grupo passa pelas cidades compartilhando arte. O RASGACÊRO acrescenta à música elementos cênicos extraídos da cultura popular, com destaque para as linguagens do circo e do teatro de rua. O objetivo do grupo é promover cidadania, integrar comunidades, gerar convívio social e melhorar a qualidade de vida nas cidades, e com isso, ampliar, difundir e popularizar os conceitos, produtos e resultados positivos da trajetória do Grupo Rasgacêro. O grupo tem na
bagagem dois CDs independentes (Polinização, de 2006, e Alegres Fantoches Alienados, de 2007), além de prêmios e participações em diversos festivais do Brasil.
Para que o evento fosse devidamente prestigiado e registrado, ele contou com uma forte divulgação, que abrangeu os principais veículos de comunicação de Brasília. Sua divulgação compreendeu TV, rádio, outdoor, ícones de rua, jornais, revistas, internet e material gráfico. Além disso, uma experiente assessoria de comunicação acompanha e divulga seus feitos, por meio de matérias e releases.