Prêmio Caio Sustentabilidade

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SERGIO JUNQUEIRA DISCURSA NA SALA SÃO PAULO - 13/02/2010

10 anos.

 

Confesso que quando comecei, não imaginava que chegaríamos tão longe, apesar de sonharmos com a grandeza e representatividade deste nosso setor de eventos e turismo.
 
 
Mais do que confortáveis com uma década de atividades do Prêmio Caio, elegendo o que de melhor há nos setores de marketing promocional, eventos e turismo no Brasil, estamos cada vez mais entusiasmados com as possibilidades de negócios que este mercado promove e desperta a cada ano.
 
Nesta décima edição, tivemos recorde de cases inscritos (193 contra 163 em 2008), jurados habilitados (308 contra 250 em 2008) e jurados que votaram (249 contra 225 em 2008) escolhendo os Melhores Destinos, Resorts, Hotéis, Centros de Convenções e Espaços para Eventos em todo o Brasil.
 
Sem desmerecer os premiados nas edições anteriores, a décima edição também registra o feito de conceder um Grand Prix ao presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, e fazer uma homenagem especial ao secretário de Turismo de Natal, Soares Junior, ambos aqui presentes, em cujo nome homenageio todos os vencedores desta 10ª. Edição do Prêmio Caio e para os quais peço uma salva de palmas.
 
Entretanto, quem me conhece sabe que eu não ficaria aqui apenas jogando confetes em nossos premiados ou valorizando os profissionais do setor. É preciso que coloquemos o dedo em algumas feridas e eu faço isso agora, aproveitando a qualidade dessa platéia repleta de empresários, autoridades e executivos desta maravilhosa indústria que movimenta bilhões de dólares.
 
As vésperas de sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016, cabe fazermos uma reflexão sobre as reais condições dos nossos espaços de eventos, enfim, de toda nossa infra-estrutura que se bem atendeu até agora a nossas exigências, deverá ser revista em se tratando dos eventos internacionais.
 
Será que temos Centros de Convenções compatíveis com as exigências internacionais, que atendam as dimensões, conforto e aparelhamento tecnológico exigidos pelos grandes eventos. Ou vamos deixar que esta infra-estrutura seja apresentada apenas em belíssimos vídeos que mostramos lá fora?
 
Prometer e não entregar pode acarretar uma série de prejuízos para o Rio de Janeiro e São Paulo.
 
Creio que deveremos formatar um eixo de propostas que dêem um norte mais profissional e competitivo ao desenvolvimento setorial nos próximos anos.
 
Afinal, o que justifica os altos investimentos necessários para a realização de mega eventos são seus legados. Considerando que a abertura da Copa aconteça em São Paulo e seu encerramento no Rio de Janeiro, que também sediará as Olimpíadas, abre-se uma fantástica janela de oportunidades para estas duas cidades.
 
Haja vista o que aconteceu em Barcelona e Sidney, possivelmente as cidades que melhor aproveitaram a realização das Olimpíadas em seu território, nos anos que antecederam o evento. Sem contar que nos seguintes foram palco de centenas de congressos internacionais, tendo levado ambas a assumirem papel predominante no cenário internacional, em posições relevantes que ocupam até hoje.
 
No entanto, no caso das cidades brasileiras, para que todo potencial seja devidamente aproveitado faz-se necessário um minucioso plano de ações.
 
Não é concebível que vivamos de expedientes como ocorreu no Mundial de Cardiologia (RJ), na UNCTAD (SP), por exemplo, para cuja realização o Rio Centro e o Anhembi foram adaptados de forma precária.
 
O mesmo deverá ocorrer para realização do Mundial do Rotary em 2015, em São Paulo.
 
Até quando vamos viver de expedientes e continuar perdendo a captação de grandes eventos? A realização dos Jogos Olímpicos deixou lições de destinos vitoriosos e de cidades que desperdiçaram a oportunidade, como Atlanta, nos EUA.
 
Em 2010 o Brasil terá que escolher o rumo de seu destino. Se desejarem se espelhar nos exemplos de Barcelona e Sidney, Rio de Janeiro e São Paulo precisam iniciar imediatamente a construção de mega centros de convenções, situados em local próximo dos principais atrativos culturais e gastronômicos, viabilizando a conquista de centenas de pequenos, médios e grandes eventos.
 
OK, estou talvez chovendo no molhado e dizendo coisas que muitos de vocês já sabem, mas o que estamos fazendo para mudar esta situação?
 
Nós, jornalistas, o que publicamos para provocar os empresários e autoridades do setor?
 
Dirigentes e Executivos, pelo que brigam todos os dias?
 
E nossas autoridades aqui presentes, estão olhando o setor como um todo, entendendo que quando falamos de infra-estrutura estamos também falando de um desenvolvimento modal que atenda as necessidades do território brasileiro?
 
Estudos recentes indicam que a Copa da África do Sul será sobremaneira mais danosa ao meio ambiente se comparada à da Alemanha. E se prevê que na de 2014, no Brasil, estes danos se multiplicarão.
 
O que é assaz inquietante num cenário de crescente preocupação internacional em minorar os efeitos danosos de ações que afetem o meio ambiente.
 
Os maiores prejuízos serão decorrentes das viagens de avião, meio de transporte inevitável em país localizado fora do hemisfério norte, origem da maioria dos participantes do evento e, mais ainda, necessário para deslocamento dos torcedores de norte ao sul e centro-oeste brasileiro.
 
Se nas viagens de grande distância, o uso dos aviões é inevitável, o transporte de torcedores no eixo Rio de Janeiro|São Paulo| Curitiba|Brasilia|Belo Horizonte, que representarão mais de 50% do fluxo de tráfego em 2014, pode e deveria ser realizado de trem, um dos meios de transporte que menos danos causam ao meio ambiente.
 
A construção de um modal ferroviário de alta velocidade interligando estas cinco capitais e mais cidades como Campinas, Goiânia, Juiz de Fora, Londrina, Maringá, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Uberlândia e Uberaba evitará que em 2014 o mundo assista a um caos aéreo de proporções inimagináveis.
 
Num momento em que se observa que alguns bilhões de dólares estarão sendo gastos na reforma, adaptação ou construção de arenas esportivas de aproveitamento duvidoso na pós-copa, o numerário que for despendido na construção do modal ferroviário interligando o eixo Sul/Sudeste/Centro-Oeste será o mais valioso legado da Copa 2014.
 
E eu já estou com os olhos lá em 2020, quando a Expo Mundial poderá ser no Brasil, encerrando uma década de mega eventos e abrindo as comemorações do Bicentenário da Independência.
 
Como todos sabem, são três os maiores eventos mundiais: as Olimpíadas, o Mundial de Futebol e a Expo Mundial. As duas primeiras, realizadas a cada quatro anos, já foram captadas pelo Brasil, cabendo agora que o país se esforce para captar o último elo da trinca, realizado a cada cinco anos.
 
Em 2010, realizada em Xangai e em 2015, em Milão, a Expo Mundial é uma feira de nações, que apresenta os avanços do conhecimento em temas econômicos, comerciais, políticos, culturais, sociais e tecnológicos. O objetivo é o aprofundamento das relações econômico-comerciais, intercâmbio cultural, promoção do desenvolvimento e troca de novas tecnologias.
 
Sob o tema Better city, better life (Cidade melhor, vida melhor), a Expo Xangai ocupará área superior a 5 km² disponibilizando áreas para construção de grandes pavilhões. O do Brasil, por exemplo, terá mais de 2 mil m² e sob o tema Cidades Pulsantes apresentará a diversidade humana e cultural dos municípios brasileiros, a economia do país e os principais avanços do Brasil na área da sustentabilidade, inclusão social e política.
 
O BIE - Bureau Internacional de Exposições, organizador da mostra, estima em mais de 70 milhões os visitantes da Feira, que tem duração de seis meses, estando previstos mais de três milhões de visitantes no Pavilhão do Brasil.
 
Em menos de seis meses, no mês de junho, em Xangai, estará sendo eleita a cidade onde se realizará a Expo Mundial de 2020. E o Brasil tem todas as condições de conquistar mais este evento. Só não o fará se não tiver competência na gestão do processo de captação. São Paulo já está trabalhando nesse sentido e tem todas as condições de ser a escolhida.
 
A Expo São Paulo poderá ser o marco inicial das comemorações do Bicentenário da Independência do Brasil e do Centenário da Semana de Arte Moderna, acontecimentos que ocorrerão na capital paulista.
 
Tão importante quanto captar a Expo Mundial para São Paulo é que sua realização se dê no marco de um projeto de longo prazo, de forma que todos os investimentos realizados estejam integrados no projeto de desenvolvimento urbano, social e cultural da região metropolitana de São Paulo de médio e longo prazo.
 
Bem, acho que já me alonguei de mais, mas este assunto é apaixonante e não posso me furtar de aproveitar uma platéia deste gabarito para jogar luz sobre o nosso setor.
 
Hoje é uma noite para homenagear, confraternizar e comemorar, então, vamos seguir com a premiação.
 
Boa festa a todos.


Revista Eventos

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